Wednesday, January 4, 2012

ATRASO NO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM OU DA FALA


Sua filha tem 2 anos de idade e ainda não está falando. Ela fala umas poucas palavras, mas em comparação com as amiguinhas, ela está lá atrás. Você lembra-se de que sua irmãzinha conseguia juntar palavras e formar frases quando tinha a mesma idade. Na esperança de que ela vai alcançar esse estágio logo em breve, você evita procurar um conselho profissional. Algumas crianças andam cedo, e algumas falam cedo, você diz a si mesma. Nada para se preocupar - - -
Esse cenário é comum entre pais de crianças que demoram a falar. A não ser que eles observem outras áreas de “lentidão”, os pais evitam procurar ajuda. Alguns desculpam a falta da fala dizendo logo “ela vai chegar lá”, ou “ela está interessada em desenvolver outras aptidões físicas”.
Entender o que é “normal” e o que não é, em termos de desenvolvimento da fala e da linguagem, pode ajudá-la a descobrir se você deveria estar ou não preocupada, e se sua filha está dentro da tabela.

Entendendo Fala Normal e Desenvolvimento da Linguagem

É tão importante conversar sobre a fala e sobre o desenvolvimento inicial da linguagem, quanto como em qualquer outra área de preocupação de desenvolvimento,  em todas as visitas de rotina que você fizer com o pediatra. Pode ser difícil dizer se a criança é apenas imatura na sua habilidade de se comunicar, ou se existe um problema que requer atenção profissional.

Estas normas de desenvolvimento podem lhe dar pistas:

Antes dos 12 Meses
É importante observar se as crianças dessa idade estão usando suas vozes para relacionarem-se com seu ambiente. Balbuciando e arrulhando são estágios iniciais do desenvolvimento da fala. Conforme os bebês vão amadurecendo, em geral por volta dos 9 meses, eles começam a emendar vários sons juntos, e a incorporar vários tons de fala, e dizer palavras como “mama” e “papa” sem realmente entender o que essas palavras significam.
Também antes dos 12 meses de idade, a criança deveria estar prestando atenção aos sons, e começar a reconhecer nomes de objetos do dia-a-dia, como “bubú”, “nana”, etc. Se o bebê olha atentamente mas não mostra reação ao som, pode ser que estes sejam sinais de baixa audição.

Entre 12 e 18 meses
Crianças nessa idade deveriam ter uma grande variedade de sons de consoantes no seu repertório de balbúcias (p, b, m, d, n) começando a imitar e aproximar mais das palavras modeladas pelos membros da família, e tipicamente falam uma ou mais palavras, sem contar “mama” e “papa”, espontaneamente.
Nomes, normalmente aparecem antes de verbos ou adjetivos:  “bebe” ou “bola”. Sua criança deveria ser capaz de entender e seguir direções simples, como por exemplo, “dá a bola prá mamãe”.

Entre 18 e 24 meses
Apesar de haver grandes variações, a maioria das crianças dessa idade está falando 20 palavras ao completar 18 meses e, ao chegar aos 18 meses, estão com um vocabulário de mais de 50 palavras.
Ao atingir a idade de 2 anos, as crianças começam a combinar duas palavras (sujeito + verbo, nome + adjetivo) tipo “bebe chorando” ou “papai grande”.  É também nessa idade que os bebês começam a identificar objetos comuns, desenhos de objetos comuns, e a indicar partes de seu próprio corpo ao serem estas mencionadas, sendo que agora já seguem comandos de 2 etapas: “por favor pegue a bola e de para a mamãe”.

Entre 2 e 3 anos de idade
Os pais vão experimentar uma “explosão” no desenvolvimento da linguagem. O vocabulário de sua infante vai crescer tanto que você vai ter dificuldades de contar o número de palavras, e ela vai querer começar a combinar 3 ou mais palavras para formar frases.
Sua compreensão também vai aumentar muito, pois na idade de 3 anos a criança começa a compreender sentenças tipo “coloque-o sobre a mesa” ou coloque-o debaixo da cama”. Sua criança vai começar a identificar cores e a compreender conceitos descritivos, tipo grande versus pequeno.

A DIFERENÇA ENTRE LINGUAGEM E FALA
São duas palavras comumente confundidas, mas existe uma distinção entre as duas.
·       FALA é a expressão da linguagem e inclui articulação, que é a maneira como os sons são formados.
·       LINGUAGEM é muito mais abrangente, referindo-se a todo o sistema de expressão e recepção de dados de uma maneira coerente. É entender e ser entendido através da comunicação, seja ela verbal, não-verbal, e escrita.

Alguns problemas de fala e linguagem são diferentes mas se sobrepõem.
Uma criança com problema de linguagem pode ser capaz de pronunciar palavras bem, mas não consegue juntar mais do que 2 palavras para se expressar.
Já outra criança com problema de fala pode apresentar uma fala difícil de ser compreendida, mas ela consegue usar várias palavras e sentenças para expressar suas idéias.                                 
Outra criança pode falar bem, mas ter dificuldades em seguir direções.

SINAIS DE ALERTA PARA UM POSSÍVEL PROBLEMA

Se você está inquieta com o desenvolvimento da fala e linguagem de sua filha, aqui vão algumas coisas a serem observadas. Um bebê que não responde ao som ou que não está vocalizando é um motivo de preocupação.

Entre a idade de 12 e 24 meses, temos os seguintes motivos de preocupação:
·       O bebê não sabe usar gestos, tipo apontar e dizer adeus, ao atingir a idade de 12 meses
·       Prefere usar gestos do que vocalizar para se comunicar ao atingir 18 meses
·       Tem problemas imitando sons, na idade de 18 meses
·       Tem dificuldades entendendo pedidos verbais simples

Procure ajuda profissional se o bebe na idade de 2 anos:
·       Só pode imitar fala, ou atos, mas não produz palavras ou frases espontaneamente
·       Diz apenas certos sons ou palavras repetidamente, não conseguindo usar a linguagem oral para comunicar mais do que suas necessidades imediatas
·       Não consegue seguir instruções simples
·       Tem um tom de voz estranho, normalmente áspero ou nasal
·       É mais difícil de entender a criança do que se esperava para sua idade: pais e ajudantes deveriam entender a metade da fala da criança de 2 anos, e por volta de ¾ do que diz a criança de 3 anos. Chegando aos 4 anos a criança deveria ser compreendida em quase tudo que fala, mesmo por pessoas estranhas.

CAUSAS PARA ATRASO NO DESENVOLVIMENTO DA FALA OU LINGUAGEM

Muitos fatores podem impedir o desenvolvimento normal da fala ou da linguagem. Atraso na fala de uma criança, cujo resto do desenvolvimento é normal, pode ser causado por problemas físicos orais, tais como a formação da língua ou do céu-da-boca. Por exemplo, uma pequena dobra embaixo da lingua (frenulum) pode limitar o movimento que a língua faz para produzir a fala.

Várias crianças com um desenvolvimento da fala vagaroso tem problemas “motores orais”, ou seja, a comunicação na área do cérebro responsável pela produção da fala. Essas crianças encontram dificuldades em coordenar os lábios, a língua e a mandíbula para produzir sons. A fala pode ser o único problema, mas pode ser que em outras áreas, tipo comer, elas também apresentem dificuldades. E o atraso na fala também pode ser parte de, ou um indicador de, um problema mais “global” no desenvolvimento.

Problemas de audição são comumente relacionados ao atraso na fala, razão pela qual a audição da criança deveria ser testada por um audiologista sempre que houver uma preocupação com o desenvolvimento da fala. A criança que tem dificuldades em ouvir, tem também dificuldades em articular e usar a linguagem.
Infecções nos ouvidos, especialmente aquelas crônicas, podem afetar a habilidade de ouvir. Infecções simples, quando tratadas adequadamente, não deveriam afetar o desenvolvimento da fala.

O QUE FAZEM OS ESPECIALISTAS DE FALA-LINGUAGEM?

Se seu pediatra suspeita que a sua criança tem um problema, é crucial que uma avaliação por um especialista seja feita o mais cedo possível. Se não houver problema algum, pelo menos você para de se preocupar. É melhor trabalhar com um especialista que seu pediatra já conheça.
Ao conduzir sua avaliação, o especialista em "linguagem/fala" vai observar a habilidade que sua criança tem de falar e de se comunicar, dentro de seu contexto de desenvolvimento. Além de observar sua criança, o especialista irá conduzir testes e aplicar escalas padrão, procurando marcos no desenvolvimento dela nas seguintes áreas:
  • O que sua criança entende (linguagem receptiva)
  • O que sua criança pode falar (linguagem expressiva)
  • Se sua criança está tentando se comunicar de outra maneira, tipo apontando, gesticulando, etc
  • O desenvolvimento do som e a claridade da fala da criança
  • O “controle motor oral” da criança (como a boca, língua, céu-da-boca, etc se coordenam para produzir a fala,, para comer e para engolir,)

Se o especialista achar que sua criança precisa de terapia fono-auditiva, sua participação como mãe/pai é extremamente importante. Vocês podem observar as sessões de terapia e aprender a participar do processo. O fonoaudiólogo vai mostrar-lhes como trabalhar com sua criança em casa para melhorar sua habilidade de falar e de se comunicar oralmente.

Por outro lado, após fazer a visita ao especialista, você pode descobrir que suas expectativas simplesmente eram muito altas, mas aprendendo o que esperar em cada fase do desenvolvimento de sua criança irá ajudá-la a colocar as coisas em perspectiva.

O QUE OS PAIS PODEM FAZER?

Assim como muitas outras coisas, a fala é um produto da combinação de natureza e treino. A parte genética parcialmente determina o desenvolvimento da inteligência e da fala. Porém, muito depende do ambiente ao redor da criança. 

A criança está recebendo os estímulos adequados em casa e na creche? Ela tem muitas oportunidades de participar e trocar idéias? Que tipo de comentários ela recebe?

Havendo uma debilitação no desenvolvimento da fala, linguagem ou audição, sua intervenção a tempo proporcionará a ajuda que a criança precisa e, quanto melhor você entender o porquê de sua criança não estar falando, melhor você poderá aprender maneiras de encorajá-la a desenvolver sua fala.
  
Dicas do que fazer em casa:

·       Passe bastante tempo comunicando-se com sua criança, mesmo durante a fase de bebê, falando, cantando, e encorajando-a a imitar seus sons e gestos.

·       Leia para sua criança, começando na idade de 6 meses. Você não precisa terminar o livro todo. É bom usar livros apropriados para cada fase, livros feitos de tecidos macios, livros com texturas para suas mãozinhas, livros que fazem a criança imitar os movimentos dos bichos e livros com muitos desenhos coloridos, para atrair o olhar da criança enquanto você pronuncia o nome das figuras. Mais tarde, deixe a criança apontar para as figuras que ela reconhece, enquanto você repete seus nomes. Depois, passe a ler livros com estorinhas previsíveis, que a criança vai adivinhando o que vai acontecer. Repita livros para que aos poucos os pequeninos comecem a memorizar a estória.

·       Use situações diárias para reinforçar a fala e a linguagem. Em outras palavras, fale sem parar durante o dia. Por exemplo: de nome às comidas (mesmo no supermercado), explique o que você está fazendo ao cozinhar ou limpar um cômodo, aponte para objetos em volta da casa, e ao dirigir, faça uma distinção verbal dos sons que você vai ouvindo. Faça perguntas e confirme as respostas, mesmo as que você achar difícil de compreender. Mantenha o papo simples e evite repetir a “fala de neném”.
Independente da idade da criança, reconhecer e tratar dos problemas o mais cedo possível é a melhor proposta para ajudar no desenvolvimento da fala e da linguagem. Com a terapia apropriada, sua criança irá com certeza, se comunicar melhor com você e com o resto do mundo.
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Tradução: Silvia Borges
Original: Amy Nelson, MA, CCC-SLP (fonoaudióloga senior do service de terapia e reabilitação do Hospital Alfred duPont para Crianças, em Wilmington, Delaware – USA.
Publicação: Outubro 2010 www.kidshealth.org sitte da companhia Nemours, sistema de saúde pediátrica que trata de 250.000 crianças anualmente.


1 comment:

  1. Desculpem-me mais uma vez ter publicado um texto sem ao menos uma revisão. Foi uma atrocidade cometida contra nossa língua! Não sei se consertei todos os erros e, depois de 27 anos pouco usando a língua portugues, com certeza a gramática me escapa. Não fiz modificações literárias no original, nem tampouco inseri meus próprios pensamentos na tradução. Obrigada, Silvia

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