Sua filha
tem 2 anos de idade e ainda não está falando. Ela fala umas poucas palavras,
mas em comparação com as amiguinhas, ela está lá atrás. Você lembra-se de que
sua irmãzinha conseguia juntar palavras e formar frases quando tinha a mesma
idade. Na esperança de que ela vai alcançar esse estágio logo em breve, você
evita procurar um conselho profissional. Algumas crianças andam cedo, e algumas
falam cedo, você diz a si mesma. Nada para se preocupar - - -
Esse
cenário é comum entre pais de crianças que demoram a falar. A não ser que eles
observem outras áreas de “lentidão”, os pais evitam procurar ajuda. Alguns
desculpam a falta da fala dizendo logo “ela vai chegar lá”, ou “ela está
interessada em desenvolver outras aptidões físicas”.
Entender o
que é “normal” e o que não é, em termos de desenvolvimento da fala e da
linguagem, pode ajudá-la a descobrir se você deveria estar ou não preocupada, e
se sua filha está dentro da tabela.
Entendendo Fala Normal e Desenvolvimento da Linguagem
É tão importante
conversar sobre a fala e sobre o desenvolvimento inicial da linguagem, quanto como
em qualquer outra área de preocupação de desenvolvimento, em todas as visitas de rotina que você fizer
com o pediatra. Pode ser difícil dizer se a criança é apenas imatura na sua
habilidade de se comunicar, ou se existe um problema que requer atenção
profissional.
Estas
normas de desenvolvimento podem lhe dar pistas:
Antes dos 12 Meses
É
importante observar se as crianças dessa idade estão usando suas vozes para relacionarem-se com seu ambiente. Balbuciando e arrulhando são estágios iniciais do
desenvolvimento da fala. Conforme os bebês vão amadurecendo, em geral por volta
dos 9 meses, eles começam a emendar vários sons juntos, e a incorporar vários
tons de fala, e dizer palavras como “mama” e “papa” sem realmente entender o
que essas palavras significam.
Também
antes dos 12 meses de idade, a criança deveria estar prestando atenção aos
sons, e começar a reconhecer nomes de objetos do dia-a-dia, como “bubú”, “nana”,
etc. Se o bebê olha atentamente mas não mostra reação ao som, pode ser que
estes sejam sinais de baixa audição.
Entre 12 e 18 meses
Crianças
nessa idade deveriam ter uma grande variedade de sons de consoantes no seu
repertório de balbúcias (p, b, m, d, n) começando a imitar e aproximar mais das
palavras modeladas pelos membros da família, e tipicamente falam uma ou mais
palavras, sem contar “mama” e “papa”, espontaneamente.
Nomes,
normalmente aparecem antes de verbos ou adjetivos: “bebe” ou “bola”. Sua criança deveria ser
capaz de entender e seguir direções simples, como por exemplo, “dá a bola prá
mamãe”.
Entre 18 e 24 meses
Apesar de
haver grandes variações, a maioria das crianças dessa idade está falando 20
palavras ao completar 18 meses e, ao chegar aos 18 meses, estão com um
vocabulário de mais de 50 palavras.
Ao atingir
a idade de 2 anos, as crianças começam a combinar duas palavras (sujeito + verbo,
nome + adjetivo) tipo “bebe chorando” ou “papai grande”. É também nessa idade que os bebês começam a
identificar objetos comuns, desenhos de objetos comuns, e a indicar partes de
seu próprio corpo ao serem estas mencionadas, sendo que agora já seguem comandos de 2
etapas: “por favor pegue a bola e de para a mamãe”.
Entre 2 e 3 anos de idade
Os pais vão
experimentar uma “explosão” no desenvolvimento da linguagem. O vocabulário de sua
infante vai crescer tanto que você vai ter dificuldades de contar o número de
palavras, e ela vai querer começar a combinar 3 ou mais palavras para formar frases.
Sua
compreensão também vai aumentar muito, pois na idade de 3 anos a criança começa
a compreender sentenças tipo “coloque-o sobre a mesa” ou coloque-o debaixo da
cama”. Sua criança vai começar a identificar cores e a compreender conceitos
descritivos, tipo grande versus pequeno.
A DIFERENÇA ENTRE LINGUAGEM E FALA
São duas
palavras comumente confundidas, mas existe uma distinção entre as duas.
· FALA é a expressão da linguagem e
inclui articulação, que é a maneira como os sons são formados.
· LINGUAGEM é muito mais abrangente, referindo-se
a todo o sistema de expressão e recepção
de dados de uma maneira coerente. É entender e ser entendido através da
comunicação, seja ela verbal, não-verbal, e escrita.
Alguns problemas
de fala e linguagem são diferentes mas se sobrepõem.
Uma criança com problema de linguagem pode
ser capaz de pronunciar palavras bem, mas não consegue juntar mais do que 2
palavras para se expressar.
Já outra criança com problema de fala pode apresentar
uma fala difícil de ser compreendida, mas ela consegue usar várias palavras e
sentenças para expressar suas idéias.
Outra
criança pode falar bem, mas ter dificuldades em seguir direções.
SINAIS DE ALERTA PARA UM POSSÍVEL PROBLEMA
Se
você está inquieta com o desenvolvimento da fala e linguagem de sua filha, aqui
vão algumas coisas a serem observadas. Um
bebê que não responde ao som ou que não está vocalizando é um motivo de
preocupação.
Entre a idade de 12 e 24 meses, temos os
seguintes motivos de preocupação:
· O bebê não sabe usar gestos, tipo apontar e
dizer adeus, ao atingir a idade de 12 meses
· Prefere usar gestos do que vocalizar
para se comunicar ao atingir 18 meses
· Tem problemas imitando sons, na idade
de 18 meses
· Tem dificuldades entendendo pedidos
verbais simples
Procure ajuda profissional se o bebe na idade
de 2 anos:
· Só pode imitar fala, ou atos, mas não
produz palavras ou frases espontaneamente
· Diz apenas certos sons ou palavras
repetidamente, não conseguindo usar a linguagem oral para comunicar mais do que
suas necessidades imediatas
· Não consegue seguir instruções
simples
· Tem um tom de voz estranho,
normalmente áspero ou nasal
· É mais difícil de entender a criança
do que se esperava para sua idade: pais e ajudantes deveriam entender a metade
da fala da criança de 2 anos, e por volta de ¾ do que diz a criança de 3 anos. Chegando
aos 4 anos a criança deveria ser compreendida em quase tudo que fala, mesmo por
pessoas estranhas.
CAUSAS PARA ATRASO NO DESENVOLVIMENTO DA FALA
OU LINGUAGEM
Muitos
fatores podem impedir o desenvolvimento normal da fala ou da linguagem. Atraso na
fala de uma criança, cujo resto do desenvolvimento é normal, pode ser causado por
problemas físicos orais, tais como a formação da língua ou do céu-da-boca. Por exemplo, uma pequena
dobra embaixo da lingua (frenulum) pode limitar o movimento que a língua faz
para produzir a fala.
Várias
crianças com um desenvolvimento da fala vagaroso tem problemas “motores orais”,
ou seja, a comunicação na área do cérebro responsável pela produção da fala.
Essas crianças encontram dificuldades em coordenar os lábios, a língua e
a mandíbula para produzir sons. A fala pode ser o único problema, mas pode ser
que em outras áreas, tipo comer, elas também apresentem dificuldades. E o atraso na
fala também pode ser parte de, ou um indicador de, um problema mais “global” no
desenvolvimento.
Problemas
de audição são comumente relacionados ao atraso na fala, razão pela qual a
audição da criança deveria ser testada por um audiologista sempre que houver uma
preocupação com o desenvolvimento da fala. A criança que tem dificuldades em
ouvir, tem também dificuldades em articular e usar a linguagem.
Infecções
nos ouvidos, especialmente aquelas crônicas, podem afetar a habilidade de
ouvir. Infecções simples, quando tratadas adequadamente, não deveriam afetar o desenvolvimento da
fala.
O QUE FAZEM OS ESPECIALISTAS DE FALA-LINGUAGEM?
Se seu
pediatra suspeita que a sua criança tem um problema, é crucial que uma avaliação
por um especialista seja feita o mais cedo possível. Se não houver problema
algum, pelo menos você para de se preocupar. É melhor trabalhar com um
especialista que seu pediatra já conheça.
Ao conduzir
sua avaliação, o especialista em "linguagem/fala" vai observar a habilidade que
sua criança tem de falar e de se comunicar, dentro de seu contexto de
desenvolvimento. Além de observar sua criança, o especialista irá conduzir
testes e aplicar escalas padrão, procurando marcos no desenvolvimento dela nas seguintes áreas:
- O que sua criança entende (linguagem receptiva)
- O que sua criança pode falar (linguagem expressiva)
- Se sua criança está tentando se comunicar de outra maneira, tipo apontando, gesticulando, etc
- O desenvolvimento do som e a claridade da fala da criança
- O “controle motor oral” da criança (como a boca, língua, céu-da-boca, etc se coordenam para produzir a fala,, para comer e para engolir,)
Se o
especialista achar que sua criança precisa de terapia fono-auditiva, sua
participação como mãe/pai é extremamente importante. Vocês podem observar as
sessões de terapia e aprender a participar do processo. O fonoaudiólogo vai
mostrar-lhes como trabalhar com sua criança em casa para melhorar sua
habilidade de falar e de se comunicar oralmente.
Por outro
lado, após fazer a visita ao especialista, você pode descobrir que suas
expectativas simplesmente eram muito altas, mas aprendendo o que esperar em
cada fase do desenvolvimento de sua criança irá ajudá-la a colocar as coisas em
perspectiva.
O QUE OS PAIS PODEM FAZER?
Assim como
muitas outras coisas, a fala é um produto da combinação de natureza e treino. A
parte genética parcialmente determina o desenvolvimento da inteligência e da fala.
Porém, muito depende do ambiente ao redor da criança.
A criança está recebendo os estímulos adequados em casa e na creche?
Ela tem muitas oportunidades de participar e trocar idéias? Que tipo de
comentários ela recebe?
Havendo uma
debilitação no desenvolvimento da fala, linguagem ou audição, sua intervenção a
tempo proporcionará a ajuda que a criança precisa e, quanto melhor você
entender o porquê de sua criança não estar falando, melhor você poderá aprender
maneiras de encorajá-la a desenvolver sua fala.
Dicas do que fazer em casa:
· Passe bastante tempo comunicando-se com sua criança, mesmo durante a fase de bebê,
falando, cantando, e encorajando-a a imitar seus sons e gestos.
· Leia para sua criança, começando na idade de 6 meses. Você não precisa terminar o livro todo.
É bom usar livros apropriados para cada fase, livros feitos de tecidos macios, livros
com texturas para suas mãozinhas, livros que fazem a criança imitar os
movimentos dos bichos e livros com muitos desenhos coloridos, para atrair o
olhar da criança enquanto você pronuncia o nome das figuras. Mais tarde, deixe a
criança apontar para as figuras que ela reconhece, enquanto você repete seus nomes.
Depois, passe a ler livros com estorinhas previsíveis, que a criança vai adivinhando
o que vai acontecer. Repita livros para que aos poucos os pequeninos comecem a
memorizar a estória.
· Use situações diárias para reinforçar a fala e a linguagem. Em outras palavras, fale sem parar durante
o dia. Por exemplo: de nome às comidas (mesmo no supermercado), explique o que
você está fazendo ao cozinhar ou limpar um cômodo, aponte para objetos em volta
da casa, e ao dirigir, faça uma distinção verbal dos sons que você vai ouvindo. Faça
perguntas e confirme as respostas, mesmo as que você achar difícil de
compreender. Mantenha o papo simples e evite repetir a “fala de neném”.
Independente
da idade da criança, reconhecer e tratar dos problemas o mais cedo possível é a
melhor proposta para ajudar no desenvolvimento da fala e da linguagem. Com a
terapia apropriada, sua criança irá com certeza, se comunicar melhor com você e
com o resto do mundo.
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Tradução: Silvia Borges
Original: Amy Nelson, MA, CCC-SLP (fonoaudióloga senior do service de
terapia e reabilitação do Hospital Alfred duPont para Crianças, em Wilmington,
Delaware – USA.
Publicação: Outubro 2010 www.kidshealth.org sitte da companhia Nemours, sistema de saúde pediátrica que trata de
250.000 crianças anualmente.
Desculpem-me mais uma vez ter publicado um texto sem ao menos uma revisão. Foi uma atrocidade cometida contra nossa língua! Não sei se consertei todos os erros e, depois de 27 anos pouco usando a língua portugues, com certeza a gramática me escapa. Não fiz modificações literárias no original, nem tampouco inseri meus próprios pensamentos na tradução. Obrigada, Silvia
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